
" Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.Seria menos higiênico.Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos, não percas o 'agora'.Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o final do outono.Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo... "
Quantas pessoas estão dispostas a correr o risco por uma idéia, por uma ideologia, por um acreditar e por um sonho ... Ou melhor quantas pessoas estão vivendo suas vidas de verdade.
Para muitos a vida se resume apenas do trabalho para casa e de casa para o trabalho.
Meu amigo Luciano Pires com seu TOM inquietante e provocador nos ilustra nesse texto a típica morte executiva.
"Rosvaldo está noutra reunião monótona, focada na eficiência operacional e no curto prazo. Os verbos são REDUZIR, CORTAR, CONTROLAR...Nada nutritivo, divertido ou objetivo. A reunião é um duelo de egos, de inexperiência, de submissão ao regime autoritário do controle.Na parede:“Pessoas são nosso ativo mais importante.” “Exceder as expectativas dos clientes” “Cidadania e responsabilidade social”.A distância entre o texto da placa e o conteúdo da reunião, é colossal. Rosvaldo se lembra de Cabral com seu mapa, seguindo para as Índias e chegando ao Brasil. Para quê terá servido o mapa?Segunda hora de reunião. De repente a discussão esquenta e ele nota brilho nos olhos quando um assunto deixa a discussão operacional e passa para o exercício do sonho, do “e se?”.Mas a mágica dura pouco. O momento criativo reduz-se a uma linha numa folha. Alguém vai reunir mais dados e trazer para a discussão. No mês que vem. Ou nunca mais. Terceira hora. Os olhos ardem com o ar condicionado viciado.Tanta gente inteligente reunida...por quê o resultado da reunião não é brilhante?Por quê aquilo não é um time? Talvez porque cada um está pensando no seu, não no “nosso” .Êpa. Agora aquele ali, previsivelmente, começa a repetir tudo o que havia sido tratado na reunião do mês anterior. E o grupo entra no jogo e começa a discutir o passado...Quatro horas.Pausa para o xixi.
Nosso herói Rosvaldo está no banheiro, fazendo xixi, inconformado em estar perdendo horas preciosas de sua vida numa reunião improdutiva...- O que é que eu estou fazendo aqui? Pensa Rosvaldo.- Mijando, imbecil!Rosvaldo olha assustado. Está só no banheiro...quem falou?- Eu!É o cara no espelho! Com uma expressão de alguém que está exaurido psicologicamente.- Rosvaldo, como é que você agüenta, heim?- Ué...faz parte! Dos negócios!- É esse o negócio que você queria?- Não!- Então como é que você agüenta?- Pô, tenho família pra sustentar ! - Não, meu caro, você agüenta porque esta situação lhe é familiar. E isso dá uma sensação de...controle! "
Controlar, controlar e controlar, a palavra na empresa é controlar......Não sabem que isso não é controle e coragem, mas sim, medo, medo de perder o cargo, medo de ficar para trás, medo de perder o status perante a sociedade.
Vejo que o medo também vem de nossos antepassados que logo na primeira tentativa nos incentivam a nos estacionar ali mesmo e morrermos naquela estabilidade mórbida pois, eles não percebem que os tempos se passaram e eles não acompanharam pelo medo ou pela falta de instrução.
Assim como o Luciano, descobri que sou movido a inspiração.... Talvez por isso eu com 22 anos ainda não saiba o que quero da vida, já que não vivo um dia após o outro mas cada dia como se fosse o último da minha vida....
Olhe esse trecho do texto filtro solar de Mary Schmich, publicada em 1º de junho de 1997 e originalmente entitulada "Advice, like youth, probably just wasted on the young " (Conselhos, assim como juventude, provavelmente desperdiçados pelos jovens).
"Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que conheço não sabiam aos 22 o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem. "
Que porrada einh !!!!
E você ?? Que tipo de vida anda vivendo ????
Não tenha medo arrisque-se, a pior coisa é viver com a dúvida de como teria sido se tivéssemos tentado. Nada é desperdiçado pois, a vida é uma escola. Apegue-se as pessoas mais importantes da sua vida. Sorria a vida é bela, nós que a dificultamos.
Termino esta reflexão com a música "epitáfio" dos Titãs.
Você é um desses que não está vivendo uma vida de verdade ?
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído 2 X
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.
Crônica: Maurílio Santos


